quarta-feira, 15 de maio de 2013

Máscara


No entanto, nada seria dito e ela novamente engoliria o choro. Seguiria os dias normalmente. No trabalho, ninguém perceberia que ela morria por dentro enquanto digitava os relatórios. A dor iria diminuindo a cada dia, até desaparecer. 

Pra voltar novamente, dilacerando o coração masoquista por causa de um outro alguém.



quinta-feira, 11 de abril de 2013

Eu também não

A barba era cerrada, e foi a primeira coisa que lhe agradou ao olhar o rosto do desconhecido. Imaginou como seria se aqueles pelos percorressem seu pescoço, ombros e costas. Aquele rosto “sujo”  deixaria a pele avermelhada e gostosamente irritada com o atrito. Aquela barba era ridiculamente afrodisíaca.
Ele indicava a vaga em que ela deveria deixar o carro. Sentiu vontade de beijá-lo ali mesmo, no estacionamento do subsolo daquele prédio, entre as tubulações e carros desligados, provavelmente enquanto algum segurança se divertia, assistindo o vídeo por quatro ângulos diferentes. Ele estava de bermuda, camiseta polo e chinelo, largado como adolescente despretensioso que joga vídeo game à tarde com o vizinho do andar de baixo, após sair do ginásio. Mas ele já era pós-graduado em Marketing e Cafajestagem, e aquele sábado nublado de São Paulo começava a ficar interessante.
Possivelmente, usava o apartamento para rituais-sexuais-descomprometidos, e isso não minimizava nenhum pouco a vontade dela de arrancar logo aquela bermuda. Subiram até o sétimo andar. Antes disso, a caminho dali, passaram em uma loja de conveniência e compraram cervejas. Ensinaram-lhes desde cedo que não é educado chegar de mãos vazias e que o álcool é um psicoativo que aumenta a libido e diminui a timidez. Ela reeditava ali mais um mentiroso caso de amor, um conto-nada-de-fadas, e a cada pegada mais forte pela cintura, lembrava que não deveria ligar no dia seguinte. A cada sussurro no pé do ouvido, cravava as unhas nas costas e na possibilidade de não responder o próximo e-mail. Colecionava amores em estado gasoso, desses que evaporam  rapidinho após o orgasmo. 
Quando percebeu um possível traço de afinidade, levantou-se e foi tragar um cigarro. Enquanto ele tomava banho, cansado e exausto de tanto sexo e diálogos, ela tratou de correr os olhos pelo quarto do rapaz. Passeou pelos livros na estante do quarto e pelos DVDs de séries americanas por ali espalhados. American Horror Story ao lado do controle remoto. Parecia não ser do mesmo dono do boneco cowboy do Toy Story, que sorria sentado no assoalho no canto do quarto. Na ponta dos pés foi espiar a sala. Enquadrou cada pedaço sem se preocupar se a atitude seria invasiva e deselegante, não havia outro olhar lhe censurando mesmo. Fugia-lhe a necessidade de ser elegante.
A TV led de 50 polegadas era o excesso para equilibrar a falta. A parede verde escura da sala guardava mensagens em giz escritas por amigos e familiares. Leu “Orgulho da mamãe” e ficou imaginando como seria sua mãe e em qual momento teria feito a dedicatória. “Londres te fez bem, subiu de vida, mano” – essa, possivelmente, seria uma observação de algum amigo íntimo que poderia comentar dessa forma sem parecer invejoso ou coisa do tipo. Havia uma lista de presença com alguns nomes relevantes, ali assinados. Com certeza não ofereceria a ela um giz para um rabisco, e isso não fazia a menor diferença no momento. No vaso branco, próximo ao sofá, faltava uma planta qualquer ali, algo verde e com vida, talvez uma samambaia. Em vez disso o vaso era povoado por inúmeros palitos de incenso queimados, em repouso na areia. Mirra, Cravo ou Patchouli camuflaram o cheiro dos inúmeros baseados ali fumados. Imaginou vertigens em meio ao quadro dos Beatles e a mesa de sinuca e jantar. Sorriu de canto.
Voltou à realidade quando ele abriu a porta do banheiro. Sabia que o amor estava longe disso tudo. Não o acharia assim, em um encontro casual.
- Preciso sair para fazer algumas coisas – ele disparou.
- Claro, sem problemas – o gosto do amor inventado lhe desceu a garganta.
- Eu não valho nada – ele tentou novamente se dissipar daquele instante.
No momento seguinte ela se reinventou e pagou com a mesma moeda. Chumbo trocado não dói.

-Eu também não.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012


".. Meus joelhos são a parte de mim que mais tenho vergonha e foi justamente por ali que você começou a fazer amor comigo. Como ser começar pelo meu pior fosse um jeito de dizer que me aceitava, que me queria de qualquer jeito, azar se desde pequena sempre fui a última a ser escolhida, do amor a times de queimada. Você disse que eu tinha joelhos lindos, mas lindo mesmo fica você quando mente pra mim.."

" ...Fica, eu digo. Me ajuda a matar o tempo até a luz voltar. Fica e come da minha comida. Pelo menos até a chuva acabar de cair. Deu agora na televisão que a cidade está debaixo d'água, mandaram ninguém se mexer. Consegue? Tenta, vai. Empresto uma toalha, uma camiseta G, um par de meias e a minha boca quente. Você já bateu o recorde de permanência, de toda maneira. Vamos lá, fica, na minha geladeira tem o resto de um frango de padaria, a gente abre um vinho bom. Juro fazer rolinhos na sua franja até você pegar no sono.

Aí você gasta um dos seus preciosos sins e deixa pra depois mais um daqueles adeus, que aliás, tem de sobra. E eu me pergunto: você vai ficar porque está chovendo, ou está chovendo porque você vai ficar? Tanto faz. Se eu bem te conheço, basta me despedir usando a tática do me-liga-qualquer-coisa. Foi assim, desse jeito, que até hoje, nenhum dos seus adeus durou pra sempre.."


sexta-feira, 9 de novembro de 2012

".. O que posso afirmar, com toda certeza desse mundo é que não: Não troquei seis por meia dúzia, como muitos vão pensar. Troquei doze por apenas um.

Troquei todos por mim.."

domingo, 21 de outubro de 2012

"..Não venha pra me fazer perder tempo. Venha pra me fazer perder a noção dele. Ou não venha de forma alguma.."

terça-feira, 16 de outubro de 2012

"..Tem medo de se apaixonar. Medo de sofrer o que não está acostumada. Medo de se conhecer e esquecer outra vez. Medo se o telefone toca, se o telefone não toca. Medo da curiosidade, de ouvir o nome dele em qualquer conversa. Medo de inventar desculpa para se ver livre do medo. Medo de se sentir observada em excesso. Medo de se roubar para dar a ele, de ser roubada e pedir de volta. Medo de que ele seja um canalha, medo de que seja um poeta, medo de que seja amoroso, medo de que seja um pilantra, incerta do que realmente quer, talvez todos em um único homem, todos um pouco por dia. Medo do imprevisível que foi planejado. Medo de oferecer o lado mais fraco do corpo. O corpo mais lado da fraqueza. Medo se ultrapassar e se esperar por anos, até que você antes disso e você depois disso possam se coincidir novamente. Medo de largar o tédio, afinal você e o tédio enfim se entendiam. Medo de que não queira repartir ele com mais ninguém, nem com seu passado. Medo de que não queira se repartir com mais ninguém, além dele. Medo de não ser interessante o suficiente para prender sua atenção. Medo de estragar a felicidade por não merecê-la. Medo de enlouquecer sozinha. Não há nada mais triste do que enlouquecer sozinha.."



"...A gente passou tanto tempo entre quatro paredes que acabou esquecendo que a vida real acontece lá fora.."

".. A gente vive cercado de esperas todos os dias.. Mas com o amor não adianta esperar. Amor não é barganha. Você não dá o melhor de si em troca de ser amado idolatrado pelo outro.. O amor acontece "apesar de.." "


domingo, 14 de outubro de 2012

"..A questão é que usar a sinceridade que se tem sem medo é coragem demais pra essa gente morna. Por isso eu entendo a maioria continuar errada, porque se despir do medo, descer do salto, é ser muito inteiro.. E continuar sendo morno é bem mais seguro do que correr o risco de se queimar.."